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Nos anos 1970, a First Automobile Works (FAW) buscou inovar o transporte de carga na China utilizando a tecnologia do motor rotativo Wankel, mas enfrentou desafios significativos relacionados ao torque. Atualmente, a China é uma potência no setor automotivo global, especialmente em veículos elétricos. No entanto, nem todas as suas iniciativas tecnológicas foram bem-sucedidas. Um exemplo notável foi a tentativa de utilizar motores Wankel em caminhões e ônibus, uma ideia que, na prática, não se mostrou viável. Esta história, pouco conhecida no Ocidente, merece ser relembrada.
O motor Wankel, diferente dos motores convencionais de pistão e biela, utiliza um rotor triangular que gira dentro de um estator, criando quatro câmaras distintas: admissão, compressão, expansão (combustão) e escape. Este design permite que o motor complete os quatro tempos da combustão em um único ciclo de rotação. As vantagens incluem compacidade, baixo peso e capacidade de atingir altas rotações (acima de 8.000 rpm), mas ele apresenta baixo torque em rotações menores, o que é problemático para veículos de carga.
A ideia de um motor rotativo remonta a 1781, quando James Watt patenteou uma versão a vapor. O motor Wankel a combustão foi idealizado por Felix Wankel em 1929, mas seu desenvolvimento foi interrompido pela Segunda Guerra Mundial. O primeiro carro de passeio a utilizá-lo foi o NSU Spider, em 1964. A Mazda, famosa pelo RX-7, já explorava essa tecnologia desde o Mazda 110 S Cosmo, de 1967.
Enquanto o Japão aprimorava a tecnologia para carros esportivos, a FAW na China tentava aplicá-la no transporte de carga. Em 1970, a Tianjin Machine Factory apresentou o TJ140, um caminhão de 4 toneladas com motor Wankel de dois rotores. Na teoria, parecia ideal: leve, com poucas peças móveis e fácil manutenção. O protótipo foi testado na rodovia Sichuan-Tibet, completando 10 mil km, mas logo surgiram problemas.
O motor Wankel do TJ140 entregava apenas 29 kgfm de torque a 8.500 RPM, exigindo que o motorista mantivesse o motor em alta rotação constantemente, o que resultou em falhas catastróficas. Outras montadoras chinesas, como a Jinhua Repair Factory, também tentaram seguir esse caminho com o caminhão Qiantangjiang, mas enfrentaram problemas semelhantes. O motor de 1.0 litro prometia durar 50 mil km sem manutenção pesada, mas aos 30 mil km já apresentava perda de compressão e consumo excessivo de óleo.
No final, a tentativa de usar motores de alta rotação e baixo torque em veículos de carga foi um erro estratégico, tornando-se um capítulo exótico na história da engenharia automotiva chinesa.
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